AulasJune 8, 2006 12:59 pm

A utilização eleitoral de 200 mortes e 1.500 feridos foi a gota de água que fez transbordar a paciência de uma parte importante da população espanhola. O governo espanhol, liderado por José María Aznar insistiu em atribuir responsabilidade do etentado ao grupo separatista ETA.

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O governo espanhol habituado a manipular as informações, tendo em conta os seus interesses, não se deu conta de que a realidade era diferente à sua vontade. E quanto mais insistia em distorcer a verdade, mais ela crescia e estava contra esses interesses.

“Ha sido ETA, no tengas la menor duda”, disse textualmente o premiê a Antonio Franco, diretor de El Periódico, de Barcelona. Em artigo publicado na terça-feira (16/3), o jornalista relata que essas foram as palavras do presidente de governo no primeiro telefonema, realizado por volta de 13h30. Com a garantia presidencial, decidiu a manchete da edição extra que iria para as bancas pouco depois: “El 11-M de ETA”. Na página interna destacou: “El Gobierno acusa a ETA y califica de ‘miserable’ el rumor de que los autores podían ser islamistas”.

Esse comportamento dissipou as dúvidas que as pessoas ainda pudessem ter em relação às mentiras anteriores e acabou com o fim da inocência no julgamento das acções do governo. O raciocínio era simples: se essas pessoas são capazes de mentir sobre os cadáveres de 200 compatriotas, que dirá sobre as “armas de destruição massiva” do Iraque ou sobre o derramamento de petróleo nas praias do Cantábrico.

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Do seu exílio por opção, em Vence, Eduardo Lourença dá-nos algo mais do que isto - o previsível - e dá-nos, sobretudo, a entender que tudo o que se diga é ainda pouco mais sólido do que um suspiro.
Lourenço admite que o 11M influenciou o eleitorado e admite também que, sem esse acontecimento, Aznar estaria, provavelmente, agora a gozar uma reforma em glória, ciente do seu papel determinante na transformação da Espanha num ‘grande’. E admite também que tudo possa parecer uma sanção desproporcionada para um governo até então “creditado de uma boa gestão”.
Porém, Lourenço diz-nos que a reflexão não pode terminar por aqui. Importa falar no peso da mentira para um povo que vive de forma intensa o colectivo, do caso Prestige e do gradual mas consistente afastamento da Europa. Tudo grãos na engrenagem que, finalmente, emperrou com o 11M - acto que, ao contrário do que se pode deduzir (a tentação é grande para políticos com fome de soundbite e para editores em busca de títulos com força) não é o 11.09 europeu. Diz Eduardo Lourenço: “É justamente o contrário. E cabe agora ao PS espanhol demonstrá-lo. E para além dele à Europa, a uma Europa que não deve entrar em pânico com estes novos ’seldjucidas’ dentro dos seus muros, mas mobilizar-se e mobilizar o mundo para o único combate oposto ao da guerra infinita (…) o combate pela paz”.

E esta foi, para a cidadania espanhola, a primeira surpresa: a da administração calculista da verdade, num “conta-gotas” tão manipulador como nefasto. As eleições de 14 de Março mais que um vencedor tiveram um derrotado: Aznar. A lógica consequência da sucessão de despropósitos daqueles dias foi a mudança de Governo. Hipótese certamente ambicionada pelos terroristas, mas servida de bandeja por um Executivo que, então, acumulava a sua gestão com sucessivos erros: das vicissitudes do naufrágio do petroleiro Prestige ao errático desempenho após a queda de um avião militar, com troca de cadáveres e a inevitável repetição de funerais.
A segunda surpresa dos espanhóis foi a sua extrema fragilidade. O que surpreende num país habituado à barbárie terrorista. Mas o horror das explosões daquela manhã foi tão devastador que nem mesmo os mais curtidos nas mais duras experiências ficaram imunes. Um ano depois, aos serviços de assistência psicológica ainda chegam mais casos de depressão e novos episódios de fobias.
A terceira descoberta foi a vulnerabilidade a um perigo externo, até então difuso, e que, como ontem se confirmou, existe na preocupante dimensão de um polvo do terror. A todos estas questões os espanhóis responderam com acerto: retiraram a confiança a quem os quis manipular, investigaram as redes do terrorismo islâmico, inviabilizando novas matanças, e montaram um novo sistema de prevenção. E, sobretudo, deram uma lição: não caíram na fácil tentação xenófoba.

A impresa quando procura é capaz de mostrar a verdade. Até porque, como dizia um antigo político ” é possivel enganar alguns todo o tempo, é possivel enganar todos algum tempo, mas é impossivel enganar todos o tempo todo.”

A comunicação de crise é um universo onde os gestores procuram reduzir ao mínimo os seus efeitos nocivos. Ou por outro lado, tem função preventiva, ou seja antes que a crise ancontece deve preveni-la. O que não impede que ela aconteça:

Na situação preventiva, o seu objectivo é evitar e neutralizar potenciais crises, designadamente através da preparação de porta-vozes, montagem de sistemas de alerta e identificação de possíveis cenários de crise e desenvolvimento de relações com grupos de pressão.

Quando a crise já aconteceu, o objectivo é minimizar o impacto negativo das crises, podendo a comunicação ser feita a partir da definição de estratégias previamente preparadas, elaboração de comunicados e do reforço das relações com os «simpatizantes» da organização ou empresa.

Os tipos de crise
a) As crises previsíveis - são as situações críticas que, de uma forma ou de outra, se podem antever como, por exemplo, os despedimentos em massa ou as falências.
Consideram-se assim as crises:
- de âmbito económico (ex.: falências);
- de alterações estruturais (ex.: despedimentos e reestruturações);
- contextuais (ex.: Guerra no golfo).
b) As crises imprevisíveis - que, como o nome indica, não é suposto saber-se com antecedência que irão ter lugar e que obviamente são as mais difíceis de gerir convenientemente. Note-se que a maioria das situações de crise são justamente deste tipo.
Consideram-se neste caso:
- catástrofes naturais (ex.: sismos, inundações);
- desastres empresariais (ex.: queda de avião, incêndio);
- financeiras (ex.: take over hostil);
- sabotagens (ex.: acções terroristas);
- agressões (ex.: difamações, acção de grupos de pressão);
- contextuais (novamente o exemplo da Guerra do Golfo).

O spinning dedica a sua atenção à manipulação da opinião pública, através da mentira como referido em epígrafe, no caso espanhol do 11 de março. Tem por isso um carácter enganoso.
Não será correcto compara-lo à comunicação de crise, já que esta procura solucionar os problemas de uma entidade empresarial ou política com recurso as mais variadas técnicas. Partindo do principio que as técnicas sejam feitas com rigor, ética e verdade…

Quando uma empresa enfrenta uma crise, seus executivos são assediados por jornalistas, clientes, políticos, grupos de interesse, funcionários, acionistas, vizinhos, curiosos. Todos preocupados. Todos exigindo respostas. E o grau de pânico, natural numa situação como essa, é inversamente proporcional ao nível de preparação da empresa para o enfrentamento da situação.

AulasJune 7, 2006 11:01 pm

O caso Valerie Plame abalou a proteção de sigilo de fontes da imprensa americana, isto porque vários jornalistas foram obrigados a depor sobre a identidade de suas fontes.

Valerie Plame era uma ex-agente da CIA que teve sua identidade secreta revelada pelo colunista Robert Novak, em julho de 2003 – pouco tempo depois o seu marido, o diplomata Joseph Wilson, publicou um artigo no New York Times, onde criticava o governo Bush.

A ex-agente da CIA Valerie Plame, era centro de um escândalo que ameaçava a Casa Branca, terá trabalhado sobre o nuclear iraniano antes de ser revelada a sua identidade. Vingança ou não, a sua carreira acabou.

https://mipais2.elpais.es/recorte.php?xref=20051014elpepiint_5&id=SCO&type=Ies

Para além da questão principal do caso, Plame participava nos esforços dos serviços secretos para vigiar a proliferação do material nuclear do Irão, e a revelação da sua identidade comprometeu a capacidade (dos Estados Unidos) de controlar as tentativas iranianas para obter a arma nuclear.

Democratas, no Congresso dos EUA pressionaram o presidente Bush a demitir o seu principal conselheiro, porque seria ele o responsável pelo escandalo sobre Valerie Plame.
“Os democratas estão agora a aumentar a pressão sobre a Casa Branca exigindo que Carl Rove deponha perante o Congresso ou se demita, recordando que o presidente prometeu demitir quem quer que fosse que tenha voluntariamente divulgado aquela informação. O congressista Robert Menendez, um democrata pelo Estado de Noiva Jérsia afirma que”a Casa Branca não deveria ajudar a esconder aqueles que revelaram o nome de uma agente secreta da CIA que trabalha para o seu país e o defende do perigo´´. Disse Menendez:´´Chegou portanto a altura de Carl Rove se demitir.”

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Bush teria duas opções: declarar-se inocente ou culpado.
Fosse qual fosse a sua escolha, o caso manchou a Casa Branca. No entanto, questionado publicamente sobre aparentes artimanhas do governo e para calar um opositor da guerra no Iraque, mentiu.

Mas o ex-embaixador Joseph Wilson, marido de Valerie Plame num artigo escrito para o New York Times exibiu provas de que o presidente George W. Bush mentira, em discurso à nação, para justificar a guerra, afirmando que: “Saddam Hussein comprara urânio do Niger”.

Wilson tinha sido enviado àquele país africano para fazer uma investigação, a pedido da CIA. Voltou dizendo que as acusações eram conversa fiada. Um informe confidencial foi enviado à Casa Branca, contando isso. Mas ainda assim Bush incluiu a informação enganosa no discurso: contou uma mentira ao mundo. Em seu artigo, Wilson revelou essa tramóia ao público. O governo deu o troco: acabou com a carreira profissional de Valerie Plame, esposa de Wilson, vazando à imprensa – através da Libby - a informação de que ela era espiã da CIA.

Uma guerra… e muitos interesses económicos. Onde está a verdade ou a mentira? Até onde vai a manipulação política, para atingir determinados fins?

Bush’s Brain, documentário realizado por Joseph Mealey e Michael Paradies Shoob, ajuda a perceber um pouco mais esta problemática. Com um outro argumento, o tema da manipulação é exposto com as carscteristicas comuns.

O filme mostra a verdade, ou não que muitos tentam esconder. Com o objectivo de nos tornar pessoas mais atentas, ou não…

“O filme nos apresenta a Karl Rove, o homem conhecido como “O Cérebro de Bush”. Conselheiro mais próximo do presidente norte-americano, Rove não só concebeu e moldou sua carreira política como continua sendo uma força orientadora dentro da Casa Branca. Sua influência marca um momento de transcendência nas políticas americanas: a ascensão do consultor político para uma posição de poder sem precedentes.”

Aulas 9:57 pm

O filme Manobras na Casa Branca, realizado por Barry Levinson, teve nos principais papeis Dustin Hoffman e Robert De Niro. O primeiro é um famoso produtor de Hollywood, o segundo um poderoso consultor de comunicação. O destino junta-os para tentarem conseguirem evitar que um escândalo “sexual” seja motivo para que o presidente não seja reeleito.

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Os dois personagens juntam-se na realização de uma frenética simulação de guerra, pois esta é a única forma “que temos de os distrair”, aos meios de comunicação, claro. E como consequência ao povo americano, que preocupado com a noticia de guerra esquece o caso do presidente.
Entretanto entre a publicação de notícias de guerra (simuladas em estúdio, pelos dois), são descobertos pela CIA e mais um problema acontece. Porque o adversário politico do presidente descobre que a guerra não passa de estratégia politica para distrair o povo.

É urgente perceber o mundo, ou este novo mundo em que tudo pode ser real ou imaginário. Onde constantemente se oscila entre a verdade e a mentira. Este filme é por isso…
“…uma farsa mordaz que satiriza, com elegância e habilidade, a vida política e a manipulação mediática que é apanágio da sociedade de informação.”

Então a guerra contra a Albânia, povo “pacato” tinha que acabar… E nada melhor que simular um refém de guerra, em que os dois personagens decidiram que seria um soldado… preso e a servir de escudo politico. Tal como aconteceu nos EUA, durante a guerra no Afganistão.

“Em compensação, tanto a Sky News como a NBC transmitiram em directo Jessica Lynch a ser retirada para um hospital militar dos EUA na Alemanha, repetindo a operação horas depois, quando o C 17 aterrou na Base de Ramstein. Pouco importa que os espectadores só conseguissem vislumbrar uma maca e pouco mais, não distinguindo quem quer que fosse. A Sky e a NBC sabiam, como ninguém, que era isso que os norte americanos e os britânicos queriam ver, tal como a CNN sabia, e por isso mesmo é que levou a família de Jessica ao Larry King Live . E foi por saber isso que o Pentágono se apressou igualmente a distribuir o vídeo da operação de resgate, propiciando que a imagem de Jessica corresse mundo, como correu.

E Jessica é, do ponto de vista mediático, a heróina perfeita. É um simples soldado raso, é nova, é mulher, loura e, ainda por cima, sobreviveu a um ataque traiçoeiro por parte dos iraquianos, que atacaram uma mera coluna de apoio logístico. E ironia suprema: ela é natural de uma cidade chamada Palestine, situada no Estado norte americano da Virginia.”

Assim terminaram os onze dias em que a comunicação social tinha que ter novos acontecimentos para não dar destaque ao que se teria passado com o até então presidente. Que voltou a ser reeleito. No entanto, o famoso produtor não se contentou com o anonimato e queria divulgar o seu feito, mas não percebe que ao faze-lo derrubaria o presidente que ajudou a eleger.

Obviamente, não termina aqui porque o produtor acaba morto…
Muitas questões podem ser colocadas, mas para mim a principal é esta.

A MENTIRA É IMPORTANTE PARA MANIPULAR AS PESSOAS EM COMUNICAÇÃO, SERÁ A MORTE O CAMINHO MAIS FÁCIL PARA LÁ CHEGAR? E QUANTOS SERÃO CAPAZES DE O FAZER?

“Não deixa de ser curioso, pois, que, em vez de cumprir até o fim suas bombásticas (em todos os sentidos) promessas de acertar as contas com os que fizeram os habitantes de Nova Iorque sofrer um apocalipse semelhante às chuvas de mísseis despejadas por seu governo na periferia pobre da ordem liberal-imperialista, Bush filho concentre seu furor genocida contra o Iraque, cujo governo sabidamente não mantêm nenhuma espécie de vínculo com os presumidos autores dos atentados de 2001 e que, em matéria de destruição maciça, apenas tem recebido os mísseis lançados pelos matadores profissionais do Pentágono.”

As manobras utilizadas em campanhas politicas tem um objectivo, se para o atingir devemos fazê-lo com ética, rigor e verdade. Não terão as manobras “políticas” as suas limitações?

“A mundialização da informação, principalmente através da rede de comunicação instantânea que é a televisão, é um pilar do pensamento único e da cultura única massificada, praticamente reduzida ao culto da indigência intelectual.
Da «guerra em directo» no Golfo passou-se, devido ao modo como as autoridades jugoslavas estudaram os efeitos dessa experiência, para a mistificação pura e simples na crise balcânica, onde não faltam formas cruéis de chantagem emocional. Os limites entre a informação e a propaganda desapareceram e os grandes produtores de informação de guerra são hoje «os relações públicas fardados» do Pentágono, durante as suas regulares conferências de imprensa. Cada vez é mais alarmante a falta de sentido crítico de alguns jornalistas perante os sistemas de propaganda montados em cenários de guerra. Recomenda-se vivamente, nos tempos que correm, a observação atenta do filme «Manobras na Casa Branca». Tem a virtude de nos explicar como estamos indefesos perante a sofisticação de formas de manipulação que permitem fabricar e ocultar realidades, escrevendo-se assim a História ao sabor dos interesses militares e das capacidades tecnológicas e de comunicação dos mais poderosos.
Não é apenas em momentos de guerra que funciona o pensamento único. Os padrões de leitura dos acontecimentos mundiais são definidos pelas televisões de âmbito mundial e reflectem a eficácia da mensagem primária, maniqueísta e tendenciosa que corresponde, em cada momento, aos interesses económicos, militares e políticos do sistema de poder real dos Estados Unidos.”

A verdade é sempre uma causa única, ainda que por vezes disfarçada de uma certa dose de interesse. Principalmente porque a manipulação está em todo o lado, vale a pena ler este artigo.

AulasApril 18, 2006 3:12 pm

As campanhas políticas tem um objectivo, que é conseguir mais votos que o adversário. Por isso muitas vezes atacá-lo é a forma mais fácil de disfasar os próprios erros e torna-lo mais fraco, denegrindo a sua imagem e capacidade. Esta estratégia de marketing político é recente no nosso país e utiliza: acusações, rumores e vocabulário agressivo.

O negativismo politico é pouco explorado em Portugal, mas tem outras dimensões noutros países, como acontece no Brasil. Em que esta estratégia é realmente explorada ao limite, chegando menos ao interior dos próprios partidos.

Vejamos este caso:
Quando Lula da Silva, presidente brasileiro foi acusado de corrupção, utilizou uma campanha negativa, acusando os seus colaboradores de traição. Lula desresponsabilizou-se e atribuiu culpas os seus braços direitos.
Saber um pouco mais sobre o caso de corrupção do governo de Lula.

“Lula foi hábil, conseguiu botar a culpa nos outros e fez papel de vítima. Derrubou um a um: José Dirceu, José Genoino, Antonio Palocci, Delúbio Soares, Silvinho Pereira. Queremos mostrar que é impossível o sujeito ser vítima de todos os amigos, é mais fácil que as vítimas sejam os amigos.”

Por outro lado o seu principal opositor e adversário político, utilizou na campanha eleitoral a mesma estratégia, o negativismo. O principal objectivo era conseguir denegrir a imagem de Lula, associando-o à corrupção.

“O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), disse ontem a empresários e investidores nos Estados Unidos que o foco da campanha presidencial tucana será abalar a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e responsabilizá-lo pelos escândalos de corrupção que derrubaram seus amigos no governo. “Teremos de fazer uma grande campanha negativa para mostrar que ele [Lula] estava ciente da corrupção.”

“O presidente Lula usou seu enorme carisma popular, e os programas assistencialistas, para confundir a opinião pública com atitudes dúbias, auxiliando na criação do álibi do caixa dois para substituir a roubalheira pura e simples. Estabelecida a premissa de que todos são ladrões, Lula sai do episódio isento de culpa pessoal, não se importando que o patrimônio eleitoral do PT tenha se deteriorado pelo caminho.”

No entanto, nem sempre as campanhas negativas conseguem o objectivo, que é conseguir com que o candidato ganhe as eleições. Porque normalmente, como foi o caso de Lula, não é facil destruir a imagem de uma pessoa, carismática, popular e com provas dadas. Assim, nestes casos a reacções do outro lado, pode anular a campanha, por mais negativa que ela seja.

“Parece haver uma identificação da população entre o PT e a desordem.” Palavras do principal opositor político de Lula da Silva.”

“Serra fez uma campanha negativa, o que não o ajudou até agora nas pesquisas. Mas ela foi bem sucedida em eliminar dois de seus rivais. Se Serra chegar ao segundo turno, ele tentará destruir a imagem de um moderado e afável Lula. Para isso, usará imagens das “velhas” e radicais reuniões com Hugo Chávez, o volúvel presidente da Venezuela, e com o líder cubano Fidel Castro.”

Aprofundar o governo de Lula da Silva, aqui.

O serviço sujo e o marketing eleitoral
Em uma manhã quente de segunda-feira, reúnem-se em volta da mesa de uma sala no centro de uma cidade quatro personagens.
Personagem 1 - O CHEFE - chefe é chefe e pronto.
Personagem 2 - Da Mata - candidato.
Personagem 3 - Golias - marqueteiro.
Personagem 4 - Sônia - marqueteira.
O Chefe entra, cumprimenta com um bom dia seco e pergunta: E aí? Depois dessa, o que vocês têm a dizer?
Golias é o primeiro a responder: Estou atônito. Não sei explicar muito bem, mas o adversário não pára de crescer. As pesquisas estão provando isso. Temos que fazer algo. Sônia interrompe: O problema é que o Da Mata não tem carisma, não tem jeito pra coisa. Tem que ser arrastado.
Da Mata esperneia: Peraí! Eu estou fazendo tudo que vocês mandam. Já estou rindo pra todo mundo, abraço velhinho, dou a mão pra bêbado, outro dia atolei meu sapato num barranco, choro que nem criança… Tenho culpa de nada, CHEFE!
O CHEFE desabafa: Olhe aqui, eu não estou pagando aquela fortuna pra vir aqui e ouvir o que eu já sei! Quero solução! A minha parte eu estou fazendo. Mais do que isso, só se eu for candidato!
Sônia explica: Bom, CHEFE, eu só vejo uma saída. Temos que partir pra acusação. Baixar o nível mesmo. A gente bate, bate, até que alguma coisa vai pegar. O CHEFE discorda: Negativo. Aqui as pessoas não gostam de quem fala mal dos outros, ainda mais com mentiras e sem provas. Eu sei o que estou falando.
Golias esclarece. Não é isso não, CHEFE, quem vai bater é o outro. O Sr. não tem linha direta com o outro? Então? A gente abre espaço na imprensa, inventa umas histórias e manda ele baixar o cacete! E tem o nosso pessoal no parlamento, eles têm imunidade e já estão acostumados… manda baixar o cacete também.
O CHEFE faz um sinal de consentimento. Assim pode ser. Eu topo. O outro lá já está sabendo que não ganha mesmo, tá no lucro e, depois, ele já está embasado mesmo, se precisar eu dou um reforço e pronto.
Combinado? Deixa que eu mesmo falo com ele. Vão preparando a munição que eu acerto tudo. E você, Da Mata, vê se deixa de ser lerdo e arranja algum voto por aí. Será que eu nasci só pra carregar mala sem alça?
Da Mata responde: Sim, senhor, CHEFE! O CHEFE encerra a reunião e vai embora.
Este diálogo fictício e mal escrito quer representar o modo como o marketing eleitoral muitas vezes se vale de uma estratégia conhecida como campanha negativa. A intenção é desqualificar o adversário. Segundo os manuais de marketing eleitoral, a campanha negativa se baseia no seguinte:

1. As primeiras impressões negativas são mais difíceis de mudar que as positivas;
2. Possuir fatos positivos associados ao nome não é tão importante para o eleitor quanto possuir fatos negativos associados;
3. A imagem de fraqueza de caráter é mais importante do que a de força de caráter na decisão de voto;
4. Os eleitores tendem a avaliar o caráter dos candidatos e é muito difícil mudar este julgamento depois dele ter sido feito;
5. A propaganda negativa é mais lembrada pelos eleitores do que a positiva.

O problema é que o acusador, além de credibilidade deve ter provas do que afirma. Se não tiver, como bem percebe o CHEFE, o tiro sai pela culatra. O ofensor fica com a pecha de mentiroso e está perdido. Por isso é necessário encontrar alguém para fazer o “serviço sujo” de promover acusações a torto e a direito na presunção de que no final das contas sempre restará alguma dúvida sobre o adversário.
É por isso que os marqueteiros do candidato logo sugeriram que outros e não o seu candidato fizessem o serviço sujo. Certamente não ficaria bem para o candidato arcar com o ônus da prova e o desgaste de não ter as provas. Sempre haverá algum lacaio que, acobertado por imunidades, ou a preço vil, se arrisque a manchar a honra dos adversários.
A vítima da campanha negativa e do serviço sujo com que ela opera, cabe esclarecer a opinião pública e agir conforme a Lei, acreditando que na Justiça Eleitoral encontrará a decisão de coibir e punir a sujeira espalhada pelos ratos da eleição.

Em Portugal, surge pela primeira vez uma campanha negativa na política em 2005.
“O secretário-geral do PS acusou hoje o PSD de ter inaugurado em Portugal um estilo de campanha negativa, negra e indigna e, sem nomear Santana Lopes, afirmou que um líder partidário fez afirmações «brejeiras».”

Esta campanha teve muitas criticas e parece não ter sido bem aceite. Uma opinião por Marcelo Rebelo de Sousa.

O mais recente escandalo provocado por uma campanha negativa foi, o caso Manuel Maria Carrilho, que diz no seu mais recente livro, ter sido penalizado nas eleições. Porque uma série de comentadores politicos fez-lhe a «mais brutal campanha negativa feita no Portugal democrático».

A POLÉMICA sobre a qualidade do jornalismo em Portugal reacendeu-se após a publicação do livro Sob o Signo da Verdade, no qual Manuel Maria Carrilho faz um balanço muito crítico da cobertura noticiosa da sua candidatura à Câmara Municipal de Lisboa. Ao longo de 207 páginas, Carrilho cita vários exemplos de «mau jornalismo» ocorridos entre Abril e Outubro de 2005 que, em seu entender, configuram uma campanha negativa que de forma directa ou indirecta poderá ter condicionado os resultados eleitorais. É o caso do tratamento noticioso do vídeo de campanha, centrado quase exclusivamente na aparição «durante um minuto» do seu filho Dinis Maria. Estávamos a 7 de Junho. Onze dias mais tarde, o título «Carrilho diz que jornalistas são débeis mentais» na primeira página do EXPRESSO deixou-o «estarrecido». Tratava-se do resumo da entrevista incluída nas páginas interiores e que o então candidato socialista à principal autarquia do país considera ter sido elaborado com «intencionalidade calculada» com o objectivo de «reforçar o ataque à minha pessoa e à candidatura que eu protagonizava».

Links de interesse:
-http://doxa.iuperj.br/artigos/teserevisada4.pdf
-http://oquesepassa.no.sapo.pt/socrates.htm

Aulas 3:06 pm

A actividade de spinning doctor consiste no exercicio, de conseguir manipular a impresa, com o objectivo de alterar determinados padrões ou ideias, que se tem à cerca de um politico.
O spin doctor não pode estar por isso associado a um politico, pois pode comprometê-lo. Deve influênciar os meios de comunicação de forma anónima.

O chamado spin doctor ainda é uma espécie de avis rara, geralmente chamado à laia de bombeiro, para apagar fogos, na comunicação com o eleitorado. Isto já é marketing eleitoral.

Os governos das democracias modernas confiaram, há muito, as vicissitudes da comunicação a especialistas, que dão a cara e marcam as tónicas das relações com os media. São os chamados «spin doctors».

É uma profissionalização que, entre outras vantagens, permite que, quando alguma coisa corre mal, se poupe o membro do governo e se sacrifique o “spin doctor um agente de imprensa que expende uma opinião de modo a conquistar a mídia e influenciar pessoas”.

É um agente de imprensa, ou não, que lança uma opinião de modo a conquistar os media e influenciar pessoas. N0 que se relere aos seus valores, crenças, ou seja vai de encontro a elas.

“Os spin doctors são especialistas de comunicação e gestores do partido, profissionais do partido e políticos, que, no dia a dia, asseguram (ou procuram) que os media noticiosos reflictam a mensagem desejada e adoptem uma interpretação particular dos acontecimentos adequada aos seus interesses.”

Ainda há alguns meses, nas páginas deste jornal, se dava conta de que a Associação de Jornalistas alemães acusava Gerard Schroeder de boicotar jornais e jornalistas tomados como críticos da acção do seu governo (4). Os jornalistas criticavam o governo do chanceler pelo facto ‘de excluir jornalistas críticos de conversas de `background´, recusar entrevistas e seleccionar repórteres para cobrir deslocações aos estrangeiro’. Ou seja, nas democracias ocidentais o relacionamento entre o poder político e o poder dos media é algo que os governos organizam cuidadosamente, obtendo para isso o concurso de conselheiros de comunicação, num universo de que emergiu a figura do ‘spin doctor’(5).

Características de um Spin Doctor:
- São discretos, uma vez que ninguém diz que é um Spin Doctor. Ninguém reivindica “isto fui eu que fiz”. Talvez mais tarde isso possa acontecer, mas não no momento imediato. Pois, ninguém gosta de ser manipulado.
- Não deixa impressões digitais directas, ou seja, não costuma aparecer.
- A desregulamentação da actividade leva a que, muitas vezes, se negue a existência de um Spin Doctor. No fundo ele é o estratega.
- Tem acesso directo ao poder estabelecendo, assim, uma relação de confiança.
- Recorrem, na maioria dos casos, a “campanhas negativas” ou “campanhas negras”
- Conhece os meandros da comunicação e do marketing.
- Alimenta a opinião pública através de factos políticos que são divulgados pela comunicação social, mas também podem ter que influenciar grupos de decisão.
- Criam mensagens, que devem conter os chamados soundbites ou “frases assassinas”; e geram informações, normalmente, designadas como exclusivos.

“Os dez mandamentos de um Spin Doctor:
1. Haver um só maestro (centralizar a informação);
2. Jogar bem (não tolerar fífias);
3. A mensagem, nada mais que a mensagem;
4. Alimentar os meios de comunicação a tempo e horas;
5. Guardar os bons pedaços (cachas, fugas) para os amigos;
6. Martelar a informação;
7. Tomar constantemente o pulso à opinião pública;
8. Testar e medir cada decisão (grupos de controlo);
9. Roubar ao adversário os melhores argumentos;
10. Enfeitar, ameaçar, por vezes bater.”
Revista Visão, 13 de Novembro de 2003 – Artigo sobre “Os mestres da Manipulação”.

Como sabemos que, nos dias correm, não há ingenuidade quando se trata de promover a imagem dos governos, parece que a ilusão da transparência é a nova táctica para recredibilizar os “spin doctors”, baixar as defesas dos jornalistas e da opinião pública e conseguir um “spin” mais perfeito, uma encenação mais convincente. Ao negarem o seu próprio papel, os assessores mediáticos e os homens por trás do marketing político lançam-se à conquista do terreno estratégico que têm vindo a perder. Ou seja: criando a ilusão de que pouco interferem na informação e na imagem do governo, os mediadores da comunicação governamental reforçam a eficácia das suas técnicas, pois convencem o público de que o que parece, é. Mas no fundo, como dizia Nick Assinder, o discurso do “no spin” é apenas “another bit of spin from the kings of spin”.

Opinião do Jornalista Luís Salgado, sobre um Spin Doctor Português.

Aulas 3:05 pm

O filme “Spinning Boris”, foi apelidado por muitos criticos de cinema como documentário, por revelar factos reais. Dirigido por Roger Spottiswoode, este filme mostra em 98 minutos uma improvável reviravolta, nas eleições russas. Ou seja, a releição do presidente da Rússia Boris Yeltsin, em 1996.

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Em fevereiro, a 109 dias da eleição, os consultores George Gorton, Dick Dresner e Joe Shumate foram contratados pelo grupo de Yeltsin para tentar o impossível. Conseguir que o presidente ganhasse as eleições.

O presidente russo tinha 6% dos votos nas pesquisas, contra os 31% do líder, o comunista Gennady Zyuganov.
O trio americano começou a sua conquista:

1. A imagem do presidente muda, de um aspecto mal-disposto, para um sorridente, beijando crianças na rua e plantando arvores.
2. Os discursos de Yeltsin começam a ser excitantes e passam a durar três e quatro horas. Acabou também com os depoimentos gélidos na campanha de TV.
3.O candidato imperial e distante começou a adotar um tom familiar.

A 96 dias da eleição, Yeltsin passou para 9% das intenções de voto. Enquanto Zyuganov desceu para 28%.

“Yeltsin cada vez mais sorridente, garantiam que o voto dos russos nele seria “para o bem de seus filhos”. O inacreditável acontecia: o presidente aparecia dançando ao ar livre num parque em Moscou, com a elegância de um pato gordo, balançando os braços num show de rock.”

A 76 dias das eleições, Yeltsin atingiu os 12% contra 24% de Yuganov.

A manipulação está bem presente no decorrer do filme, a carta enviada para a Casa Branca, antes da visita do presidente americano, não tem senão este objectivo:
-Quando Bill Clinton entrou na campanha, na reunião do G-7, os setes países mais ricos do mundo, realizada coincidentemente em Moscovo fez grandes elogios a Yeltsin, que com ele “o mundo era mais seguro”. Não se esqueceu de lembrar que 60% da economia russa agora estava em mãos do povo, não do Estado, e atacou a plataforma comunista do seu adversário.

O povo russo crente nas palavras credivéis do presidente, de uma super potência a 46 dias da eleição, as sondagens, davam 20% para Yeltsin, contra 22% de Yuganov.

A imprensa percebe que o presidente está a ser “trabalhado”. Mas os seus essessores não deixam que a notícia seja confirmada “seria demais para o orgulho nacional”, explicou um general da turma de Boris. No entanto, o consultor aconselhou ao general a nunca mentir à imprensa.

Os consultores percebem que a preocupação da população era a falta de segurança, “se os comunistas ganham, eles matam os ricos e os ricos contratam gente para matar os comunistas. Estamos cansados de guerra”, desabafa uma camponesa. “É a inquietação civil”, conclui Dick Dresner, pois descobre que o medo na Rússia era tão importante quanto a esperança.

Nos dias que se seguiram é utilizada a campanha negativa, quando os assessores do presidente russo mostram imagens dos massacres bolcheviques de 1917, com uma voz ao fundo a dizer: “Mantenha a Rússia segura!”

A 16 de junho de 1996, Yeltsin conquista 35,2% dos votos e derrota Yuganov por 3%.

Uma opinião sobre o marketing político.
O marketing político tem como base um planeamento de acções que puderam facilitar o trabalho de persuasão do partido ou dos candidatos. Ou seja: uma estratégia de marketing politico só pode ser considerada bem feita se levar em consideração o que os eleitores tem em mente, os seus conceitos, os seus preconceitos, a maneira como recebem este ou aquele discurso… O marketing politico não tem ou nada deveria ter- como missão criar candidatos. Para falar muito pessoalmente, irrito-me profundamente quando vejo pessoas, até razoavelmente inteligentes, a dizer que é possível criar um politico do nada. Como se um candidato pudesse ser criado num laboratório. Acredito que tudo tem limites. Uma coisa é identificar num político determinadas características que possam ajudar a sua aceitação pela sociedade; outra coisa é, por exemplo, obrigar um candidato homossexual a casar-se e a assumir posições homófonas só para ganhar confiança do eleitorado conservador. Isso não é marketing. Isso é vigarice. E, para ser vigarista, não é preciso perceber lá muita coisa de marketing político.
Athayde, Edson, A publicidade segundo o meu Tio Olavo, 3ºedição, noticias livreiros, 1997, pág.175

Aulas 3:05 pm

Luís Paixão Martins fundou a LPM Comunicação em 1986, depois de 15 anos como jornalista de rádio e imprensa escrita. Considerado um pioneiro no marketing institucional rapidamente conseguiu os seus primeiros trabalhos. Vinte anos depois, a LPM tem clientes nas mais variadas áreas, sendo a política uma delas.

http://www.luispaixaomartins.net/images/luis_paixao_martins0.jpg

Quando iniciou a actividade profissional, o consultor de comunicação, não tinha uma idea exacta do marcado para o qual começaria a exercer funções.
“quanto às agências de informação e comunicação, confesso a minha ingenuidade: não sabia o poder que elas têm e o modo como estão presentes nos jornais portugueses. Por acasos da minha vida, conhecia o que se passava com revistas femininas: o lançamento de determinado produto da L”Oréal implicava a troco de publicidade que se fizesse um dossier sobre o tema em questão. Mas ignorava o que se passava noutros domínios. A verdade é que, certamente por ser um escriba discreto, nunca ninguém me deu nem um rebuçado para escrever seja o que seja - quanto mais um cruzeiro nos mares do Sul…”

Luís Paixão Martins acredita que os profissionais de relações públicas, devem saber cooperer com os jornalistas e dar a informação à imprensa. Para que esta não procure informação no adversário, porque nesse caso a empresa da concurrência ganhava pontos. “Ao contrário do que se pensa, não são as empresas a comprar os jornalistas. Eles é que nos compram a nós”. Palavras do próprio.

“Na actualidade… o jornalista, protagonista e em primeiro plano, a interpelar os passantes. Estes precavidos e profissionalizados para a relação com os media, escolhem entre si quem passa e a que horas. E que gravata deve ter vestida.
Esta escola do directo e do protagonismo transforma o jornalista em actor, mas rouba-lhe a principal arma do exercício do seu poder: a função de gate keeper, o vigilante do espaço mediático. E entrega à fonte, que irrompe transformando-se em cascata, o papel geralmente conhecido ao jornalista: contar a história.”
Ver em pormenor aqui

As relações públicas são realmente uma forma de lançar a imagem de uma entidade ou empresa, depois de um processo realizado pelas empresas de consultadoria. Mas a publicidade não faz milagres e Luís Paixão Martins é dessa opinião.
Parece ser por isso que “a publicidade não constrói marcas, as relações públicas fazem-no”, como se defende no livro. “A publicidade serve apenas para manter marcas que já tenham sido criadas pelas relações públicas. A verdade é que a publicidade não ateia um incêndio. Apenas consegue alimentar o fogo depois de ele ter começado.”

No entanto, há no atear destes incêndios, no entanto, um senão - ou, se preferirem, uma questão prévia: “Se o produto pertence a uma marca que está no palco mediático, as relações públicas funcionam. Se o produto pertence a uma marca que não está no palco mediático, as relações públicas não funcionam.”

As grandes vitórias como consultor da LPM Comunicação, foi na vertente política. E o marketing político, não é tão fácil, quanto possa parecer…Já que “Os partidos têm o papel de geradores de votos e, de algum modo, no mercado de disputa de votos acaba por haver uma disputa de marcas – partidárias, é certo. Também na política a comunicação social é o grande canal de publicitação das marcas partidárias. No entanto, é muito difícil criar território de imagem para um partido que quer ser governo, invocando o racional e o positivo, através de um canal (os media), que utiliza o emocional e o negativo.”

É indispensável ter consciência do mercado e das suas transformações. A verdade de hoje, poderá ser a mentira de amanhã. Sobre a questão da regulamentação Luís Paixão Martins mudou de opinião e explicou porque.
“Sempre defendi que a actividade das empresas de conselho em comunicação não deveria merecer regulamentação específica, mas a polémica lançada por Manuel Maria Carrilho obrigou-me a uma reflexão acerca do assunto e a mudar de opinião. Refiro-me em particular aos serviços prestados ao abrigo da disciplina de assessoria mediática (ou comunicação com jornalistas), embora o mesmo critério possa ser aplicado a áreas menos comuns como a comunicação de lobbying.
Pode uma empresa de conselho em comunicação prometer resultados no âmbito da assessoria mediática? Não pode, nem deve. Que sentido faz e que verdade encerra uma proposta onde se assegure uma determinada cobertura dos media ou uma favorabilidade garantida? Nenhuma.”
Luís Paixão Martins

Aprofundar um pouco mais com esta entrevista…

Aulas 3:03 pm

A manipulação é muitas vezes desconsiderada, principalmente no que diz respeito à área politica. Porque é na vida politica que a manipulação, quer de notícias ou acontecimentos é explorada até aos limites da mentira.

Um exemplo claro de sucesso de marketing político, aconteceu na última campanha presidencial. O político Manuel Alegre seria, antes da campanha eleitoral, o candidato com menos hipoteses de convencer os eleitores, mas foi o segundo mais votado. Isto porque a estratégia passou por aproveitar os pontos fracos dos adversários, sem os atacar. Principalmente na fraqueza do seu partido político, o Partido Socialista.

O marketing político por ser momentâneo é fundamental que seja forte, já que não é possível ganhar uma campanha sem uma boa estratégia publicitária. A verdade é que o marketing ganha na politica uma dimensão completamente falsa.

Até porque o objectivo é conseguir o poder, por isso utiliza-se argumentos que manipulem a vontade do jornalista, através da opinião pública. Esta forma de conseguir a noticia é feita subtilmente para que o Jornalista não perceba o objectivo.
Soundbite foi o nome utilizado para descrever estes casos de manipulação quase indecifrável, que os jornalistas são confrontados.
Como se percebe neste exemplo, em que Maria José Nogueira Pinto, dirigente do CDS/PP, afirma que os próximos “inimigos” do seu partido, deve passar a ser o seu principal aliado até ao momento, PSD.
A palavras é forte e qualquer orgão de comunicação social teria interesse de publicar a noticia. Porque o diregente de um partido politico está a referir-se ao seu principal aliado (como já essistimos em várias eleições), de “inimigo”.

A estratégia utilizada baseia-se essencialmente, nas campanhas publicitarias ou na autoprodução, em que os candidatos respiram auto elogios, tentam provar a veracidade das afirmações com obras feitas, (mas não concluídas). E por outro lado quase ameaçam de morte o candidato mais directo.

No entanto o marketing político não é tão linear quanto isso, poderá ser lógico que é tão fácil vender um político a um país, como vender um novo desodorizante. Para além de todas as estratégias, será posivel fazer esta comparação?
Uma proposta contra.
Outra a favor.

“Sendo os meios de comunicação social, o território privilegiado para a confrontação de ideias, logo do debate político, os jornalistas são necessários, não como transmissores das realidades, mas amiúde como analistas e criticos sociais, o que lhes confere poder e margem de manobra.”
Sousa, Luís Macedo e, Onde as coisas acontecem, Comunicação, Sociedade, Poder e Administração Pública, Hugin, 2000, Pag. 112.

É um facto que o marketing na politica seja uma mais valia, mas nunca o deverá ser para os meios de comunicação social.
Explorar aqui…

Estes tem dever de dar total cobertura a todas as vozes, sem tendência para aquelas que tem por traz um amplificador…
Com ou sem tendência, acontece?

Deixe o Jornalismo e invista numa Politica com Futuro…Porque será?

“Uma vocação política. Os media no seu conjunto não abdicaram dessa função política. Mesmo que tenham tendencia para a monopolizar, para se assumirem como árbitros do espaço público…Num mundo informativo ocupado pela futilidade, pela superficialidade, pelo ritmo saltitante dos shows, pela excitação do directo, ainda restam, contudo, espaços numerosos reservados a essa função politica primeira, tarefa original do jornalismo como elemento dominante do sistema mediático. Sem uma tal permanência do politico nos media, o próprio sistema estaria condenado a curto prazo a um encadeamento das crises de racionalidade, de legitimação e de motivação. Preservar esse espaço é uma condição da sua própria sobrevivência.”
Cornu, Daniel, Jornalismo e a Verdade, Para uma Ética da Informação, Instituto Piage, Epistemologia e Sociedade, 1994, pág.381,382.

Link com interesse:
-http://www.centroatl.pt/titulos/si/imagens/mktg-politico-internet-excerto.pdf

Aulas 3:02 pm

O jornalista deve estar atento à sociedade, mas da mesma forma tem que saber interagir com ela. Fundamentalmente porque está sujeito à manipulação.

Uma opinião por Rubem de Carvalho, Jornalista. Sobre a problemática que envolve as agência de comunicação e os jornalistas

A manipulação nos meios de comunicação social está fortemente implantada e não é preciso ser estudante de Comunicação para o saber. Porque acontece na maioria das sociedades democratizadas, onde existe a livre concurrência, os mercados estão abertos e tudo gira à volta da lógica comercial.

“Na guerrilha particular com o Congresso, a media visa também perpetuar-se como principal interlocutora de um Executivo rico em verbas e possibilidades negociais, não importando as funestas conseqüências às incipientes instituições democráticas e o círculo vicioso que acarreta para o valor social da atividade política. Esta perde prestígio atraindo cada vez mais pessoas que nela vislumbram apenas oportunidades de enriquecimento ilícito, ao mesmo tempo em que afugenta os demais e leva a maioria ao descrédito nas instituições e na desvalorização da participação, inclusive eleitoral.” Ou seja ” all is money”.

Quando um assessor de imprensa exerce a manipulação nem sempre é com o objectivo de conseguir noticia, muitas vezes o interesse que está por de traz de um contacto é conseguir com que a noticia não seja publicada. Ou então desviar as atenções do jornalista.

Se já é difícil agradar a gregos e a troianos, trabalhar simultaneamente com jornalistas e administração de empresas é uma tarefa ainda mais complicada. Tudo está bem até ao dia… em que tudo está mal e quem nos paga nos diz «você está do lado dos jornalistas!», «você é um comunista!». E não adianta responder «olhe que não, olhe que não, olhe que não»…
Santos, João Moreira dos, Inconfidências de Incomunicação, MoneyMedia, 2004

Se uma empresa tem uma comunicação a fazer que poderá por em causa a sua reputação, cria automaticamente, uma maneira de o impacto seja o menor possivel. Podendo utilizar as chamadas manobras de diversão ou os pseudo-acontecimentos.

As manobras de diversão tem um resultado bem diferente dos pseudo-acontecimentos. Enquanto as primeiras tem como objectivo principal desviar as atencões para um problema que possa por em causa a reputação da empresa em questão. Já o peuso-acontecimento cria “uma falsa realidade”, que seja tão fantastica, tão forte, de maneira que os orgãos de comunicação social tenha interesse em fazer dela noticia.

No entanto, os orgão de comunicação social não são os “coitadinhos” ao serviço de uma nação. Muitas vezes os meios são tão manipuladores quanto os interesses privados. Estes não deixam de ser uma empresa e como qualquer outra tem como principal o lucro. Por isso procuram noticias que desperte a atenção do leitor, ouvinte ou espectador e nem sempre são justo e verdadeiros, porque na maior parte das vezes a verdade não dá noticia de primeira página.

O que poderá ser um exemplo, ou não…

Em Portugal o tema da manipulação parece muitas vezes “tabu”, quer nos orgãos de comunicação social, quer na sociedade. Isto porque assunto que não é falado, não é lembrado. Existe interesses que a manipulação não seja um tema na praça públicas, aí muitas mascaras poderiam cair.
Mas através de pesquisa pelo mundo cibernético deu para perceber que pelo mundo este assunto é bem mais explorado.
Sites que vale a pena visitar:
- http://www.cibersociedad.net/textos/articulo.php?art=97
-http://www.cibersociedad.net/textos/articulo.php?art=70
-http://www.jornalistas.com/noticias.php?noticia=1596

AulasJanuary 18, 2006 1:02 am

A assessoria de imprensa e o jornalismo podem tocar-se quando os profissionais não seguem uma ética profissional. No entanto quem neste caso tem realmente responsabilidade é o jornalista porque…

“Se informar é dar uma informação, é evidente que essa informação deve ser exacta. Caso contrário a informação não o é. É logro, engano, mentira. E como tal não pode servir nenhum projecto de justiça. Se informar é pôr em forma, torna-se essencial que esse pôr em forma não seja uma traição ao conteúdo. Senão a informação é manipulação da mensagem e do espirito que a recebe. Torna-se propaganda… A verdade supõe uma procura, uma revelação de factos acultos… que permite destacar uma imagem da realidade.”
Cornu, Daniel, Jornalismo e a Verdade, Para uma Ética da Informação, Instituto Piage, Epistemologia e Sociedade, 1994, pág.75.

A persuasão exercida pelo assessor de imprensa é facto consumado, podendo tocar muitas vezes na mentira. O jornalista como principal persuadido, está cada vez mais atento e sabe o risco que enfrenta diariamente. Por isso deve utilizar uma selecção o mais isenta e justa possivel, tendo sempre como base o…

Código Deontológico dos Jornalistas Portugueses

Os jornalistas portugueses regem-se por um Código Deontológico que aprovaram em 4 de Maio de 1993, numa consulta que abrangeu todos os profissionais detentores de Carteira Profissional. O texto do projecto havia sido preliminarmente discutido e aprovado em Assembleia Geral realizada em 22 de Março de 1993.

1.O jornalista deve relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade. Os factos devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso. A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público.

10.O jornalista deve recusar funções, tarefas e benefícios susceptíveis de comprometer o seu estatuto de independência e a sua integridade profissional. O jornalista não deve valer-se da sua condição profissional para noticiar assuntos em que tenha interesses.

São atribuições da Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS), conforme o art.º 3º da Lei nº 43/98, de 6 de Agosto, nomeadamente:
a) Assegurar o exercício do direito à informação e à liberdade de imprensa;
b) Providenciar pela isenção e rigor da informação;
c) Zelar pela independência dos órgãos de comunicação social perante os poderes político e económico;
c) Contribuir para garantir a independência e o pluralismo dos órgãos de comunicação pertencentes ao Estado e a outras entidades públicas ou a entidades directa ou indirectamente sujeitas ao seu controlo económico;
d) Contribuir para garantir a independência e o pluralismo dos órgãos de comunicação social pertencentes ao Estado e a outras entidades públicas ou a entidades directa ou indirectamente sujeitas ao seu controlo económico.
g) Assegurar a observância dos fins genéricos e específicos da actividade de rádio e televisão, bem como dos que presidiram ao licenciamento dos respectivos operadores, garantindo o respeito pelos interesses do público, nomeadamente dos seus extractos mais sensíveis.
h) Incentivar a aplicação, pelos órgãos de comunicação social, de critérios jornalísticos ou de programação que respeitem os direitos individuais e os padrões éticos exigíveis.

“… a publicidade deve ter o seus limites, não bem definidos pela lei, e em qualquer caso mais dificeis de respeitar do que ela, pois já se sabe com que facilidade o dinheiro mingua a consciência moral das pessoas. Uma das coisas pelas que me tenho batido sempre tem sido a diferenciação clara e eficaz entre anúncios e noticias.”
Celebrián, Juan Luis, Cartas a um Jovem Jornalista, 2ª edição, Bizancio, Lisboa, 2004

Nem sempre acontece assim…

A assessoria de imprensa como jé foi referido nas aulas anteriores, procura vender o seu produto aos profissionais de comunicação social. Tentando dessa forma induzi-lo a fazer noticia do seu objecto.
verifica-se que os meios de comunicação social, bem como os profissionais da àrea já estejam prevenidos para este interesse, tendo formas de o combater.

O assessor de imprensa usa algumas artimanhas para conseguir o seu obejectivo sem levantar suspeitas aos jornalistas. Ou seja, a ideia é que não passe pela cabeça do jornalista que aquela noticia vai dar à empresa ou marca milhares ou milhoes de euros de lucro.

Será possivel um jornalista identicicar sempre que está perante um prosesso de manipulação?
Mesmo que não consiga pode confiar no assesor de imprensa?

Ver aqui

Se o assessor de imprensa tem dever de promover um ponto de vista, uma entidade, ou um serviço, um jornalista deve promover o esclarecimento do público. Sob este ponto de vista estas actividades são incompativeis quer legalmente quer eticamante. No entanto numa lógica de articulação de interesses é possivel. Porque o jornalista tem interesse em fazer noticia de interresses públicos, portanto desde que assim aconteça é possivel a parceria.

Ver caso aqui.